Olho para o espelho Meto o meu gloss Será que está velho? Ou estragado na minha posse? Não está partido nem sujo Está em boas condições Mas assim que o vejo, eu fujo Não cumpre as suas funções Nele eu ponho também corretor Tento esconder as falhas A beleza é o seu setor Mas ele está cheio de gralhas É mentiroso, quer iludir Tenho vontade de o partir Pois sei que não é verdadeiro O meu reflexo é matreiro Não é aberto à imperfeição Mostra-me algo que não sou Que terrível sensação Saber que a autoestima voou Afinal, não sou perfeita Não sou direita Não tenho simetria Nem tenho alegria Sou meio torta Meio morta Vejo-me nas câmaras e odeio Pareço mais um escaravelho A culpa é somente do meu espelho Agora só sinto receio